Multi-microfonação

17/01/2012 - 11:29 0 Comentários Categorias Artigos Tags , , , , , , , , , ,

Neste primeiro artigo de 2012 o tema abordado será o uso de mais de um microfone para captar apenas uma fonte sonora.
A primeira coisa a se avaliar é: qual o papel dessa fonte na música? Se for um shaker ou uma meia-lua por exemplo, não há necessidade de mais do que um microfone pois, em geral, ele terá um papel de acompanhamento simples e muitas vezes panoramizado para um lado(L ou R) apenas.
Recentemente foi produzida aqui no EQ uma música na qual o violão tem um papel bastante importante. Para esse caso foram utilizados 8 microfones além da linha do instrumento da seguinte forma: posicionamos o Behringer B2 atrás da bateria a uma boa distância e um pouco abaixo do nível do piso(na escada que dá acesso à sala), o Neumann TLM103 na frente do violão, um par de AKG C214 com o padrão 3:1 de microfonação, um Shure SM57 posicionado mais próximo ao corpo enquanto um Shure PG58 apontava mais para o braço e por fim um par de overs em torno de 2,20m de altura apontando para cada extremidade do violão.
Exemplos de áudio:

B2
TLM103
C214 L
C214 R
SM57
PG58
Over L
Over R
Linha(está com um corte em 320Hz no pré)
Todos juntos

Esse mesmo set poderia ser usado para gravar, por exemplo, uma peça para violão pois capta vários nuances dando uma maior fidelidade ao som natural diminuindo ou até eliminando o uso de equalizadores.

Nesse segundo exemplo será usado o acordeon de uma música nativista em que foi usado um set mais “enxuto”: um par de AKG C214(L e R) e um Neumann TLM103(Centro) com o padrão 3:1. É interessante destacar a boa imagem stereo.
Exemplos de áudio:

C214 L
TLM103
C214 R
Todos juntos

Lembrete: sempre verifique a fase dos microfones, que pode ser feito tanto com um analisador ou pode ser monitorado ouvindo em mono, se o timbre alterar demais é porque está havendo anulação de fase e sendo assim inverta a fase de um dos microfones.

Para concluir, analise o papel do instrumento, os microfones disponíveis, teste como soam em cada posição e como irão contribuir para enriquecer o som e boa gravação.

Grande abraço, um ótimo 2012 e bom som a todos.

Silvério Simioni.

Tipos de Microfone

TIPOS DE MICROFONE

Antes de falarmos sobre quais tipos de microfones disponíveis, vamos a uma breve explanação sobre o que é um microfone: a grosso modo é um “alto-falante que ouve”, a pressão sonora faz uma bobina mover-se em um campo magnético gerando uma corrente elétrica que é então amplificada. Conceito esse igual ao do alto-falante, porém nesse caso a corrente elétrica ao passar pelo campo magnético do mesmo gera o movimento que produz o som que escutamos.

Vamos aos tipos:
Dinâmico: Esse é o mais comum – principal elemento do ao vivo – por te uma construção mais simples e robusta e normalmente captação direcional(exclui quase totalmente sons que venham dos lados ou de traz) além de uma resistência grande a grandes pressões sonoras sem distorcer o som captado, uma variação dinâmica menor deixando o som um pouco mais constante e não precisa de alimentação externa(phantom power). É ideal para cantores, amplificadores de guitarra, peças de bateria e outros que necessitam de tais características.

Condensador: Mais usado em estúdio, segue o mesmo conceito porém a alimentação externa(phantom power) amplifica o sinal no próprio microfone dando a ele uma sensibilidade muito maior. São utilizado em vozes, violões, captação ambiente, e tudo que exija riqueza de detalhes.

Ribbon(mic. de fita): Seguem o principio dos microfones dinâmicos, sem necessidade de alimentação externa(phantom power), porém tem uma fina fita no lugar da bobina.
São bastante frágeis e normalmente caros, porém não significa que não podem lidar com um SPL(pressão sonora) alto. Indicados principalmente para voz, amplificadores de guitarra, metais entre outros.

Polaridade: determina como o microfone irá se comportar de acordo com o seu posicionamento em relação a direção da fonte sonora.

Omnidirecional: Um microfone omnidirecional capta o som igual de todos os ângulos. Interessante para gravar som ambiente, um estúdio de rádio com várias pessoas, grupos de músicos em circulo – um quarteto de cordas por exemplo – e assim por diante.

Cardioide: Cardioide é o padrão mais popular polar, e capta principalmente o som de uma área ampla à sua frente com pouca sensibilidade para sons que venham dos lados e de traz. Tem esse nome porque o padrão polar quando, demonstrado em diagrama, tem o formato de coração.

Hiper-cardioide: É como um cardioide, porém capta uma área mais estreita na frente e é ainda menos sensível dos lados, mas tem uma sensibilidade maior atras.

Super-cardioide: Igual a um cardioide na frente, porém menos sensivel na traseira do que um hiper-cardioide.

Bi-direcional(ou figura 8): Os microfones captam o som na frente e nas costas(0° e 180°), rejeitando o que vem dos lados(90° e 270°). Interessante para gravar 2 cantores ou situações do gênero.

Shotgun: Assim chamados porque, ao apontá-los para uma fonte sonora, eles não vão captar nada além do alvo ao qual foi apontado(na verdade eles possuem uma sensibilidade nos lados e na traseira, porém menor do que qualquer outro microfone).
Usados principalmente para gravações de campo e em televisão.

Além disso, todo microfone tem um gráfico mostrando a resposta de frequência(que se assemelha a um equalizador gráfico).

Antes de escolher um microfone analise o propósito para qual ele vai ser usado e veja qual preenche melhor os requisitos da sua gravação/show/ensaio(tipo do mic, polaridade, resposta de frequência), tendo assim um melhor resultado na captação que consequentemente vai facilitar a mixagem destes elementos.

Bom som a todos
Silvério Simioni.

 

Dicas para aproveitar ao máximo os pacotes de gravação

7/10/2011 - 18:13 0 Comentários Categorias Artigos Tags

Ao contratar um pacote de gravação é fundamental a organização e o planejamento da banda para minimizar custos e tempo de realização da produção. Normalmente os pacotes são cobrados por hora, ou seja, quanto menor o tempo para se executar tarefas, menor será o custo. Sem falar que muitas vezes ao se prorrogar na execução de um instrumento por exemplo, gera uma pressão no grupo e principalmente no músico em realizar as gravações dentro dos horários programados.

Para evitar transtornos e facilitar o desempenho das bandas ao contratarem pacotes de gravação quero dar algumas dicas de planejamento, vamos lá:

  • Antes de entrar na sala de gravação atenha-se a quais e quantas músicas serão gravadas;
  • Definir a estrutura das músicas, seus arranjos, solos, ritmos e principalmente andamento correto e tonalidades;
  • Organizar quem serão os músicos que irão participar das gravações e já uma prévia dos horários disponíveis de cada um ao agendar as sessões;
  • Evite marcar horários apertados, com limitações de trabalho ou aula por exemplo, a pressão em fazer gravações no tempo previsto certamente não trará bons resultados. Para isso encontre um horário bacana de sua disposição e agende com o estúdio;
  • Informe-se antecipadamente da documentação necessária para as músicas que terão registros seja de ISRC ou na Biblioteca Nacional;
  • Para músicos inexperientes em tocar com o metrônomo, é fundamental ensaiar repetidas vezes até que a execução das músicas fiquem corretas. Se necessário solicite as guias das músicas com o metrônomo para que se tenha a real ideia de como será a gravação oficial;
  • Verifique sempre as especificações técnicas do estúdio quando você for utilizar equipamentos pessoais como, pedaleiras, cubos, amplificadores etc;
  • Para cada sessão de gravação agendada procure levar apenas as pessoas pertinentes à gravação, músicos e produtores que irão participar diretamente no processo, o publico sob qualquer forma pode trazer perca de rendimento tanto para a banda ou mesmo para os engenheiros de áudio;
  • Para gravações mais avançadas em que as especificações sejam mais complexas, informe antecipadamente o mapa técnico necessário para que o estúdio possa se preparar antes da sua chegada.
  • A ideia é chegar na sala de gravação e apenas por em prática tudo que foi planejado e definido nos ensaios do grupo, tendo apenas a preocupação em executar bem os instrumentos e vozes a fim de uma gravação sólida e com qualidade.

    Espero ter ajudado.

    Kassio Todescatt

Cajon Leguero – Improvisação de Instrumento

30/09/2011 - 12:04 0 Comentários Categorias Artigos Tags

Cajon Leguero – Improvisação de Instrumento

 

 

Olá, bem vindos à sessão de artigos do site EQ Estúdio de Gravação. Este é meu primeiro artigo, espero fornecer informações úteis a técnicos de estúdio, músicos que gravam seu som em casa e a todo pessoal da área afim de compartilhar temas interessantes.

Vamos lá, neste artigo vou falar um pouco sobre a improvisação de instrumentos na hora de gravar. Nesta semana tive a necessidade de gravar um bombo leguero em uma faixa nativista, e não o tinha para fazer a gravação, e agora? Nada como o instrumento real e suas características, mas em horas como essa é importante improvisar e ter uma saída à optar por instrumentos virtuais.

Quanto aos materiais utilizados, optei por um cajon maior e com definição de graves e agudos distintos, microfones condensers com diafragmas grandes sendo o principal à frente do instrumento um Neumann TLM 103 e para a imagem stereo dois AKG C214 seguindo as proporções de microfonação 1:3.

Após a escolha de instrumento e posicionados os microfones, vamos processar todas essas informações. Os AKG enderecei para um pré ART PRO Stereo, lembre-se de sempre observar a impedância para o casamento harmonioso de pré-amplificadores e microfones este pré possui regulagem de impedância. O Neumann optei por um processamento de pré-amplificador Presonus Studio Channel. Todos posteriormente enviados aos prés do console digital TASCAM onde adicionei filtros Low Cut em 88Khz apenas.

Na sessão de mixagem utilizei um gate eliminando pequenos ruidos, seguido de equalizador API-560 da Waves, é aqui aonde tudo acontece, observe na imagem abaixo as frequências atenuadas e as frequências destacadas, esta combinação me possibilitou um som mais seco, com boa presença média e baixa, característico dos bombos legueiros. Seguindo a cadeia de processamento adicionei um compressor Vcomp onde busquei estabilizar a dinâmica e estabelecer uma constante na mixagem.

A ideia aqui era aproximar o som do cajon ao bombo leguero em um momento de improvisação de instrumentos, opte sempre pelo instrumento original, ele possui características e timbres muitas vezes difíceis de simular, bem como, a execução se tornam fundamentais para um áudio com pegada.

Ouçam o resultado abaixo:
 

Até o próximo artigo.

Kassio Todescatt

 

 

 

 

 

 

 

 

Graves Embolados?

8/09/2011 - 1:38 0 Comentários Categorias Artigos Tags , , , , , , , , , , , ,

Quando estamos mixando muitas vezes temos problemas nas frequências mais graves. Uma dica simples, mas que ajuda bastante, é usar um filtro HP(High Pass) em todos os instrumentos que não trabalham nessa região: guitarras, violões, vozes, meia lua, etc.

Para os violões, por exemplo, o filtro pode ser usado em torno de 100Hz 24dB/oit., já em uma meia lua podemos subir mais(cerca de 150-200Hz) e ser mais radicais aplicando 48dB/oit.

É um passo simples, mas de grande valia pois limpa a região grave/sub-grave deixando ela livre para os instrumentos que devem aparecer ali (bumbo, baixo, surdo…).

 

Bom som a todos.

Silvério Simioni.